Daniel Chapo pede à Frelimo para preparar vitória nas eleições de 2028 e 2029

O presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e chefe de Estado moçambicano, Daniel Chapo, pediu esta quinta-feira ao partido para preparar a vitória nas autárquicas de 2028 e gerais de 2029.

“Enquanto os outros pensam ainda no ano passado, nós, como a Frelimo, temos que começar a pensar em 2028 e 2029, porque a vitória prepara-se e a vitória organiza-se”, afirmou na abertura da IV sessão ordinária do Comité Central da Frelimo, que vai decorrer durante três dias na Matola, arredores de Maputo.

“Aproveitemos ao máximo esta sessão para manter o partido na vanguarda dos destinos dos moçambicanos. A Frelimo tem este princípio de que a vitória prepara-se, a vitória organiza-se. Vamos fazer uma reflexão profunda sobre as eleições de 9 de outubro, mas igualmente preparar as nossas vitórias de 2028 e 2029”, acrescentou o presidente da Frelimo na mesma intervenção.

Daniel Chapo foi eleito em 9 de outubro quinto Presidente da República de Moçambique, num contexto de forte contestação e agitação social, em protestos convocados pelo então candidato presidencial Venâncio Mondlane — que não reconhece os resultados eleitorais –, durante os quais morreram mais de 360 pessoas, em cinco meses.

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Chapo pediu à Comissão Política do partido uma reflexão sobre os fatores que conduziram às manifestações pós-eleitorais, dentre as quais, destacou, “as dificuldades do Governo em prover necessidades básicas à população, a intolerância política instalada na sociedade, a postura da arrogância e falta de humildade de alguns dirigentes que cria distanciamento com as nossas populações”, pedindo ações para o partido “tirar o país da atual crise”.

O líder da Frelimo e Presidente de Moçambique quer também para ações que confiram ao partido “dignidade” para continuar a governar o país, incluindo o aprofundamento da democracia interna, pelo que pediu aos membros maior abertura a críticas, face aos desafios do país.

“Devemos estar mais abertos ao debate, à crítica, autocrítica, evitando colocar-nos numa posição defensiva. Convidamos a todos os membros do órgãos e convidados a sair fora da caixa, reconhecer nossas fragilidades, assumir nossas fraquezas como organização e articular estratégias eficazes que nos conduzam à nossa autossuperação e ao reforço de coesão e de verdadeira união no seio do partido“, defendeu.

Ainda na intervenção de abertura, Chapo instou ao Comité Central para discutir a orientação ideológica dos membros da formação partidária, apontando ser essencial para se manter a unidade nacional e o patriotismo.

“A Frelimo tem a grande missão de descer às bases com uma mensagem de paz, amor, perdão, reconciliação, harmonia entre os irmãos moçambicanos, explicando a verdadeira verdade eleitoral. É fundamental voltar para junto das populações para desconstruir as narrativas do evangelho do ódio semeadas por algumas forças políticas, que tem criado luto, dor e perdas incalculáveis”, disse Chapo.

A IV sessão do Comité Central decorre até sábado na Escola Central da Frelimo e vai analisar essencialmente assuntos de gestão interna, incluindo relatórios das estruturas do partido e a proposta do Plano de Atividades e Orçamento para 2025.

De acordo com informação da Frelimo, a reunião vai ainda analisar a proposta do Programa Quinquenal do Governo (2025-2029) e a proposta do Plano Económico e Social e do Orçamento do Estado para 2025, ambas já apresentadas à Assembleia da República.

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Os membros efetivos do Comité Central da Frelimo voltam a reunir-se depois de, em fevereiro, terem escolhido, sem surpresa, Daniel Chapo para presidente do partido e Chakil Aboobakar para secretário-geral, após votação no principal órgão entre congressos.

O Presidente moçambicano assumiu em 14 de fevereiro a liderança da Frelimo, tendo sido candidato único a suceder à liderança de dez anos, no país e no partido, de Filipe Nyusi.

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Author: Tudonoar

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